Manifestação contra aplicativos de transporte reúne milhares de taxistas no Rio

Os taxistas exigem a regulamentação dos carros particulares que fazem transporte de passageiros por aplicativos/Foto: Fabiano de Sá

Organizadores afirmam que 10 mil taxistas estiveram presentes hoje na manifestação da categoria, mas o prefeito Marcelo Crivella minimizou o movimento em coletiva de imprensa nesta tarde, pedindo desculpas à população pelos “cerca de mil taxistas que bloquearam as vias da cidade” na manhã desta quinta-feira, 27.

Os manifestantes estiveram por toda manhã e tarde em frente a sede da Prefeitura do Rio, na Cidade Nova, em ato organizado pelo Conselho Regional dos Taxistas (CRT), a Federação das Cooperativas de Táxis do Estado do Rio de Janeiro (Fecaperj), o Sindicato dos Motoristas de Empresas e Auxiliares de Táxi do Rio de janeiro (Simeantaerj), a União das Cooperativas de Táxis do Rio de Janeiro (Unitaxi) e o Sindicato dos Taxistas Autônomos.

Segundo eles a concentração começou às 4h da manhã, em pontos específicos para cada região, como Ilha do Governador, Barra da Tijuca, Realengo, Méier e Copacabana e chegaram em carreata por volta das 8h no local da manifestação.

Apesar da orientação de uma manifestação pacífica, por parte da direção do ato, houve confusão em alguns momentos do dia, sendo o mais tenso a que ocorreu perto das 11h20, quando a Polícia Militar precisou utilizar spray de pimenta e gás de efeito moral para dispersar manifestantes. Apesar da tensão, a corporação afirma que ninguém foi detido e não houve feridos.

Os taxistas exigem a regulamentação dos carros particulares que fazem transporte de passageiros por aplicativos como Uber e Cabify (placa cinza, o que é proibido pela legislação); Fiscalização dos aplicativos que não possuem liminar para operar; Descredenciamento dos aplicativos Easy e 99, homologados pela prefeitura; Posicionamento sobre o taxímetro virtual, sonegação fiscal dos aplicativos e ações pendentes no Tribunal de Justiça; Fiscalização contra estacionamento irregular no em torno dos aeroportos, rodoviárias, shoppings e eventos oficiais e aumento do prazo de vida útil dos veículos de seis para oito anos, sendo este último já atendido por Crivella.

“Tentamos por diversas vezes um diálogo com o prefeito mas ele só resolveu nos dar atenção um dia antes do ato, chamando a categoria para um acordo e demonstrando total insensibilidade conosco”, conta Leonardo Moraes, mais conhecido como Teco entre os colegas, o “cara” dos áudios motivacionais dos diversos grupos de taxistas do WhatsApp.

A reunião a que se refere Teco, aconteceu nesta quarta-feira, 26, pela manhã, na presença de Marcello Crivella, do presidente da Câmara Municipal, Jorge Felippe (PMDB) e de representantes da Fecaperj, Simeantaerj e CRT. A assessoria dos motoristas de táxis afirmou que o prefeito manteve tom irônico, inclusive, “duvidando que a manifestação conseguisse reunir mais que 500 taxistas”

Segundo a assessoria da prefeitura, no encontro, Crivella lembrou que foi liberado o uso pelos “amarelinhos” do corredor exclusivo do BRT em direção ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, garantiu que há um estudo para se criar novas vagas de estacionamento para táxis em pontos turísticos como Quinta da Boa Vista, Pão de Açúcar e Cristo Redentor e sobre a possível regulamentação do serviço de carro particular para transporte remunerado, informou que já começou a negociar com todas as partes envolvidas.

“A cidade tem 33 mil táxis cadastrados e 22 mil motoristas auxiliares: precisamos que a regulamentação dos aplicativos ocorra de forma justa e coerente para competirmos de igual para igual”, defende Teco. No ato de hoje os manifestantes levaram um quilo de alimento não perecível para a montagem de cestas básicas. Elas serão distribuídas pela Cooperativa Rio de Janeiro aos mais necessitados da categoria e o excedente será doado aos servidores do estado.

Doação de alimentos para os mais necessitados da categoria/Foto: Fabiano de Sá

Sobre as reivindicações dos taxistas, a Cabify se manifestou por meio de nota afirmando ser “a favor de uma regulamentação que permita uma competição saudável do setor e garanta a segurança jurídica para que haja harmonia entre o transporte individual de passageiros e o sistema público de táxis já existentes”.  A empresa “considera que a regulamentação do serviço privado deve se dar no âmbito do poder municipal, assim como já acontece com o serviço público, sendo a legislação federal apenas autorizativa e está aberta a discutir o assunto, pois acredita que desconsiderar a importância dos aplicativos de mobilidade urbana é regredir e ignorar a contribuição que a tecnologia traz à economia do País”.

Rafael Brito

Rafael Brito

Carioca, músico, jornalista, mal humorado pela manhã, inquieto pela tarde, mas feliz todos os dias. Nem de direita e nem de esquerda, gosto mesmo é de "cutucar" feridas.

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